sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Armas pela liberdade

“Uma guerrilheira curda”, de Annegriet Wietsma, oferece uma janela para o dilema do povo curdo através da luta de uma guerrilheira presa na Holanda. Nuriye Kesbir (ou Sozdar, codinome que significa "aquela que cumpre sua promessa") conta os motivos que a levaram à liderança do PKK, movimento de resistência curdo, e expõe sua revolta contra a falta de liberdade das mulheres que ainda persiste nas famílias de seu país.


O filme acompanha sua libertação e revela seu desejo de retornar à guerrilha. O conforto do exílio – ainda que sob os olhos impiedosos do governo holandês – é confrontado à dor de Nuriye ao pensar em seu povo, oprimido pelo exército turco e ignorado pela opinião pública mundial.


Planos que se demoram no olhar perdido da guerrilheira nos fazem sentir de perto a angústia do afastamento. Fica claro que Sozdar só se sentirá em casa ao voltar à sua terra. A câmera de Wietsma parece, a todo o momento, à espera de sua fuga.


Enfim, o retorno da guerrilheira às montanhas nos leva a um lugar de alegria e celebração. É interessante notar a oposição entre o ar pesado dos apartamentos holandeses em que ela se escondia e o clima de festa dominante no acampamento da guerrilha. É lá – com armas em punho e companheiros de luta ao lado – que Sozdar reencontra sua liberdade.

Um comentário:

Marcelo disse...

Bom documentário sobre temática, penso, pouco abordada. Expõe a paixão de uma pessoa por uma causa (a libertação do Curdistão), o receio das pessoas pela integridade da pessoa chave em uma prisão turca, a situação da mulher no interior da sociedade curda, resgata imagens de arquivo do ataque aos curdos do Iraque feito com armas químicas - a parte mais pesada do filme. Vale ler sobre os curdos e suas restrições antes de ver o documentário.
O filme é muito bom. Nos coloca meio que "dentro" do cotidiano das pessoas envolvidas com a causa curda, dando uma idéia melhor do que qualquer reportagem padronizada e fria sobre o tema.