quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Profissão: mafioso

Quem não conferiu a estréia de “Paraíso perdido” – primeiro longa-metragem dos diretores italianos Davide Barletti e Lorenzo Conte –, ainda tem duas oportunidades: hoje, no Estação Vivo Gávea, e segunda-feira, no Estação Barra Point. O filme é baseado no livro de Antonio Perrone, que conta a história de sua ascensão ao comando da Quarta Máfia italiana e sua condenação a 49 anos de isolamento.


Os diretores usam o caminho traçado por Perrone – guiado pelo sonho de uma vida melhor – para narrar o nascimento do grupo e, sobretudo, seu impacto sobre a região italiana de Apulia nos anos 80. Sob o domínio do poder exercido pela máfia, essa área conviveu com o medo da violência e das constantes pilhagens a que era submetida.


Barletti diz ter sido inspirado pelo modo intenso como o livro situa a história em uma terra violada, que começava a experimentar a crueldade irracional. Para ele, esse é um filme necessário, capaz de expor um período duro da história de seu país ignorado pela justiça.

Além disso, o diretor destaca a necessidade de se mostrar a máfia como ela é. Segundo ele, o cinema ainda guarda um forte imaginário que liga a figura do mafioso à de Don Corleone. É a mesma "estetização da violência" - come ele chama - que volta e meia irrompe no cinema brasileiro quando este resolve abordar nossas favelas.

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