quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Uma família acidental e o Palácio de Versalhes ("Versalhes")


A história parece igual à de tantos outros filmes: uma criança desprotegida encontra, numa situação improvável, um adulto que se torna alguém entre seu pai e seu amigo. "Versalhes", dirigido pelo francês Pierre Schöeller, entretanto, vai muito além do que aparenta ser. A produção, parte da mostra Expectativa, participou da seleção oficial “Un Certain Regard” do Festival de Cannes e venceu o prêmio BE TV de melhor filme no Festival de Bruxelas desse ano.

No filme, o miserável Damien (Guillaume Dépardieu, filho de você sabe quem), depois de passar uma noite com Nina, descobre que ela foi embora deixando para trás Enzo, de 5 anos. Guillaume, ganhador do prêmio César de melhor jovem esperança masculina em 1996, é um ator tão ambíguo e intenso quanto o ermitão contemporâneo que interpreta.

Chega a ser irônica a seqüência em que Enzo – sujo, abandonado e maltrapilho – caminha pelo suntuoso Palácio de Versalhes, escancarando a existência rude e errante dos que, por alguma razão, foram empurrados para a margem de uma sociedade aparentemente equilibrada.Luxo e miséria, inocência e crueldade, doçura e aspereza, superfície e profundidade, são muitos os contrastes presentes em "Versalhes".

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